A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU para o clima, alertou que um possível episódio forte de El Niño poderá prolongar os seus efeitos até 2028, aumentando significativamente a probabilidade de novos recordes de temperatura global. O fenómeno climático, associado ao aquecimento das águas do Pacífico tropical, tende a elevar temporariamente as temperaturas médias em todo o planeta.
Segundo projeções recentes da OMM, existe uma elevada probabilidade de que o período entre 2026 e 2030 seja o mais quente já registado, com cerca de 86% de hipótese de um novo recorde anual de calor ocorrer nesse intervalo. Além disso, os cientistas indicam que há também uma forte possibilidade de que a temperatura global ultrapasse, em pelo menos um ano, o limite simbólico de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais — um valor associado ao Acordo de Paris.
Especialistas explicam que o El Niño não é a principal causa do aquecimento global, mas funciona como um “acelerador temporário” do calor já acumulado na atmosfera devido às emissões de gases com efeito de estufa. Em anos de El Niño forte, o calor dos oceanos é libertado para a atmosfera, intensificando ondas de calor, secas e eventos climáticos extremos.
Se as previsões se confirmarem, os próximos anos poderão ser marcados por episódios mais frequentes de temperaturas extremas, com impactos significativos na saúde pública, agricultura e ecossistemas, incluindo maior risco de incêndios florestais em várias regiões do mundo.
Os cientistas reforçam que, apesar da influência natural do El Niño, o fator dominante continua a ser o aquecimento global provocado pela atividade humana, que está a elevar progressivamente a temperatura média do planeta.




















