Cerca de 10 mil pessoas participaram numa manifestação em Maiorca para contestar medidas que, segundo os organizadores, podem aumentar a pressão urbanística e turística sobre a ilha. A ação ficou marcada pela formação de um cordão humano com mais de 2,5 quilómetros ao longo da costa, entre sa Ràpita e ses Covetes.
Desde o início da manhã, centenas de participantes deslocaram-se de diferentes pontos da ilha. Os autocarros disponibilizados pela organização partiram cheios de Palma, enquanto muitos manifestantes optaram por viajar de carro, mota ou comboio. O parque de estacionamento do Clube Náutico de sa Ràpita atingiu rapidamente a lotação, tornando-se o principal ponto de encontro antes do início da iniciativa.
À medida que os participantes chegavam, foram ocupando a faixa costeira, formando uma extensa corrente humana. Em alguns locais, a profundidade da água limitou a continuidade da fila, mas a mobilização manteve-se ao longo de vários quilómetros.
Entre os participantes estiveram várias personalidades ligadas à defesa do património natural e cultural da ilha, incluindo Antoni Llabrés, presidente da Obra Cultural Balear, e a ativista Madó Farta, presença habitual nas manifestações contra a massificação do turismo.
A concentração decorreu num ambiente tranquilo, coexistindo com turistas e banhistas que aproveitaram a praia sem interferir na iniciativa.
Pelas 11 horas, o escritor Sebastià Alzamora leu o manifesto do protesto. No documento, os organizadores criticaram a lei ómnibus e as alterações à legislação agrária, argumentando que estas mudanças poderão comprometer uma parte significativa do território maiorquino. O texto alertou ainda para o risco de novas infraestruturas turísticas serem construídas em zonas atualmente preservadas, alterando a paisagem natural da costa sul da ilha.
O momento de maior tensão aconteceu no final da leitura do manifesto, quando a presidente da Câmara de Campos, Francisca Porquer, se aproximou dos manifestantes. A presença da autarca originou uma troca de palavras com alguns participantes e organizadores. Ao repetir, em tom irónico, o lema “Es Trenc não se toca”, acabou por ser recebida com vaias por parte da multidão.

















